Cultura

A psique em horário nobre - 25/02/2010 14:35:58

Por Adriana Brito

Vamos supor que Sigmund Freud, criador da Psicanálise, fosse contemporâneo aos terapeutas de hoje. Reconhecido por seu trabalho, provavelmente teria inúmeros livros nas listas dos mais vendidos – embora, em vida, sua obra tenha sido pouco apreciada –, serviria de referência às melhores universidades do mundo e atuaria como consultor dos produtores de filmes, redatores de programas de televisão e jornalistas.
Tamanha celebridade se daria porque os entertainers nunca utilizaram tanto a ciência como tema recorrente para alimentar o suspense. Aparentemente estas séries fazem parte de dois grupos bem definidos – o que integra as histórias baseadas na perícia forense, como a balística, o mapeamento genético e a datiloscopia, visto nas séries Bones, C.S.I e NCIS, e aquelas que levam roteiros inspirados na análise do comportamento, caso de The Mentalist e Law & Order: Criminal Intent.
Há pouco, três títulos foram trazidos para reforçar o segundo time. Antes, porém, seria apropriado lembrar que há um terceiro conjunto, composto pelos investigadores que empregam o sobrenatural para desvendar os mistérios dos scripts repletos de fantasia, com destaque para Medium, Fringe e Ghost Whisperer. Deles, somente o último mereceria ir para o além sem direito a bilhete de volta. Confira abaixo quais são as idéias que ocuparão os divãs de casa:

Lie To Me – criado em 2009, o pacote já está na segunda temporada e mostra uma equipe de psicólogos especializados no estudo das expressões faciais. O argumento foi inspirado no trabalho sobre a fisiologia da emoção, do Ph.D Paul Eckman, denominado de F.A.C.E Training. Professor de Psicologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco, também é autor de cerca de 100 artigos que tratam do assunto e foi considerado como um dos catedráticos mais influentes do século 20 pela American Psychological Association. Para acompanhar os capítulos protagonizados pelo esquisitão Tim Roth é preciso sublimar a péssima dublagem – ou esperar o material sair legendado em DVD – e ficar de olho nas comparações bacanas que são feitas com quem fez uma coisa e falou outra na vida real. Explica-se: se o Dr. Cal Lightman diz “ele mordeu o lábio porque estava mentindo”, logo são sobrepostas imagens de políticos e outras pessoas públicas que falharam em situações semelhantes. Na Fox, às terças-feiras, 22h. Saiba mais:
http://face.paulekman.com/ e www.fox.com/lietome/

Criminal Minds – já no quinto ano de produção essa série tem como base o trabalho feito pelo Behavioral Analysis Unit (BAU), departamento criado pelo FBI. A partir da interpretação do comportamento os agentes da ficção (e também os da realidade, pois a tal unidade existe de fato) elaboram o perfil do criminoso, determinam que tipo de planejamento foi utilizado para cometer o crime, traçam suas implicações futuras, pesquisam o nível de interação do assassino com a vítima e estabelecem se há ou não a chance de existirem copycats (copiadores). Em Criminal Minds, a equipe conta com Joe Mantegna, de O Poderoso Chefão e Thomas Gibson (irreconhecível para quem o assistiu na comédia Dharma & Greg), além de especialistas em informática, comunicação e crimes obsessivos. No AXN, às terças-feiras, às 22h.  Confira: www.fbi.gov e http://br.axn.com


United States of Tara – escrito pela roteirista Diablo Cody e produzido por Steven Spielberg, para o canal Showtime, esta história não tem lá muitos crimes. Na verdade, por enquanto, praticamente nenhum. Mas fala de um assunto bacana e bem interpretado pela ótima Toni Collette, que dá vida à Tara Gregson e suas quatro personalidades, “T”, “Shoshana”, “Alice” e “Buck”. Tentando entender mais sobre sua doença, Tara interrompe a medicação e abre a porta para, respectivamente, uma adolescente promíscua, uma mulher misteriosa que gosta de refrigerante dietético, uma dona-de-casa conservadora e um motoqueiro encrenqueiro. Impossível falar do eixo central deste seriado, o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), já chamado de transtorno de múltiplas personalidades, e não se lembrar de “Sybil”, livro da jornalista Flora Rheta Schreiber. Publicado em 1971, o material retratou o drama de uma jovem norte-americana que tinha nada menos do que 16 personas diferentes. Como o material é bem antigo é preciso procurá-lo em sebos. Quanto ao seriado acompanhe a programação da Fox. Segunda, às 22h. Analise: http://canalfox.com.br/br/ e www.sho.com/site/tara

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