Esporte

Descompasso - 31/08/2010 03:45:47

Por Sérgio Martins

Em 24 de setembro de 1988, durante os Jogos Olímpicos de Seul, Benjamin Sinclair Johnson arrebatou o mundo ao “cravar” o tempo de 09 segundos e 79 milésimos na corrida dos 100 metros rasos, uma das provas do atletismo que demanda mais técnica e capacidade física. Dois dias depois, num teste de doping, a presença do esteróide anabolizante estanozolol foi encontrada na urina do canadense.
No início da década seguinte mais um escândalo tomaria o universo do esporte. Num jogo entre Brasil e Chile, válido para as eliminatórias da Copa do Mundo, o sinalizador lançado por uma funcionária pública de Brasília parou próximo da área onde estava o goleiro Roberto Rojas. Decidido a anular a partida, evitando, assim, a eliminação da seleção de seu país para a disputa do campeonato, o arqueiro chileno aproveitou a confusão e simulou um ferimento na testa com uma lâmina de gilete que trazia numa das luvas.
Mesmo com exemplos tão censuráveis, o desporto ainda mantém-se associado a qualidades capitais na formação do indivíduo, caso da superação, do talento e da ética. Será mesmo? No dia 25 de julho, como escreveu a jornalista Barbara Gancia, os espectadores que assistiram ao Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1, pela Rede Globo, foram feitos de bobo. E, mais uma vez, pela Ferrari.
Há oito anos, no GP da Áustria, o piloto brasileiro Rubens Barrichello havia sido obrigado a ceder a vantagem ao então companheiro de equipe, Michael Schumacher. Como se fosse a reprise de um filme pra lá de indigesto, desta vez foi Felipe Massa quem se viu literalmente obrigado a tirar o pé do acelerador para que Fernando Alonso  pudesse conquistar a tão esbravejada vitória.
Para os milhões de fãs do gênero, sobretudo os que guardam na memória as vitórias de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, fica a impressão de que não há mais lugar para nossos compatriotas nesta modalidade do automobilismo. Ao dizer que é preciso defender o grupo, assinalando diferenças entre o número 1 e o número 2, a escuderia italiana esquece-se de um dos casos mais expressivos da modalidade: Ayrton Senna e Alain Prost. Representantes da MacLaren, os corredores protagonizaram disputas imperdíveis, batidas, ultrapassagens, bate-bocas e uma dose considerável de respeito próprio. Tudo ali, decidido na pista, sem a interferência deste ou daquele. Não à toa, serão inesquecíveis.
No caso entre Felipe e Fernando ainda houve quem defendesse a ideia de que a tática que beneficia um atleta em detrimento de outro se justifica na reta final do torneio. Só esse argumento serve para deixar bem claro, três verdades absolutas: as regras são dispensáveis na F-1; Massa está no pior momento da carreira e, perto dos dirigentes da Ferrari, Dick Vigarista é santo. E, diante de tantos escândalos de cockpit, ao menos um alento. Durante a corrida da Hungria, realizada em 1º de agosto, Barrichello finalmente deu o troco em Shummie. Enfim, há esperanças.





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